Conto: A misteriosa busca de um andarilho misterioso.

II Concurso Literário Toca-BA 2018 
Categoria: Conto 
Autor: Alan Vitor  

Ele andava rápido e inquieto pela mata. Após passar tanto tempo caminhando distraído, voltou ao mundo real após ouvir um barulho de passos perto. Desde então o perseguido acelerara os passos. Os ruídos fizeram o mesmo.  

Em sua mente, mil coisas se passavam. Incluindo se estava fazendo o caminho certo!  

Quando suas pernas começaram a cansar, ele decidiu enfrentar o perseguidor. Sacou sua espada e gritou.  

– Saia das sombras criatura covarde. Enfrente este grande guerreiro, de igual para igual!  

Ele sorriu. Aquilo pareceu bastante corajoso e intimidador. Achava que, com tal desafio, conseguiria afugentaria qualquer quer um.   

– Grande guerreiro? – Respondeu uma voz doce.  

Então das sombras das árvores saiu uma elfa, não tão alta como costumam ser. Seus olhos brilhavam como as estrelas, seus cabelos pareciam fios de ouro, sua voz parecia penetrar a alma dos ouvintes. Particularmente, o surpreendido perseguido achava adoráveis suas bochechas, quando ela sorria.   

Ela sorriu e disse.  

– E não foi nada gentil de sua parte, chamar-me de criatura covarde.  

– Criatura adorável… – Balbuciou o guerreiro sem perceber.  

Ela riu  

– Não! Eu quis dizer. Digo, não quis dizer que…   

– Eu entendo – Respondeu a elfa. – Não precisa se explicar.  

– Mas então… O que está fazendo aqui?  

– Achei que precisaria de ajuda em sua busca.  

– Não preciso! Estou indo muito bem em minha jornada, desde que saí de lá.  

– Achei que sentiria fome, já que esqueceu os mantimentos que separei para ti – Disse a elfa levantando uma sacola que ele ainda não havia notado. – Então resolvi trazer.  

Ele soltou um ruído de indignação.  

– Sabia que tinha esquecido algo importante! Mas…  

– Também gostaria de passear por onde vais. Realmente deixaras-me para trás no tédio?  

– Não! Você… Eu. – O elfo respirou fundo para se acalmar. – Tudo bem, deixarei você me acompanhar, Lissëista.  

Ela sorriu novamente. Seu sorriso, ela por completo, irradiava uma luz fora do normal. Um brilho excepcional.  

– Então, já se certificou que não vai precisar dessa espada para lidar comigo?  

– Espada? – O viajante olhou para a arma que tinha em punho. – Ah sim! Já havia esquecido dela.  

– Não deveria esquecer-se das suas armas durante uma conversa, pode ser surpreendido.  

– Não preciso me preocupar falando com uma coisa bela, como você. – Respondeu ele, embainhando sua espada.  

– As coisas mais belas, por vezes, são as mais perigosas. – Sussurrou a elfa.  

– O que disse?  

– Nada. Vamos comer algo? – Sugeriu a elfa. 

– Vamos, já tem muito tempo desde que parti.  

– Tem razão. É quase meio dia e você partiu ao nascer do sol.  

– Na realidade – Disse o viajante, sentando-se em uma grande pedra. – Terminei o desjejum após isso. Depois ainda fui arrumar a mochila.  

A elfa sorriu e se dirigiu lentamente para onde ele estava, parecia flutuar enquanto andava. Como ela conseguiu alcança-lo de tão longe e segui-lo por tanto tempo?  

– Vamos comer logo, querido andarilho. Sua demanda mal começou. – Disse docemente a elfa olhando-o nos olhos, com um brilhante sorriso.  

Após a refeição, perceberam que o sol já se preparava para descer, dando a vez da lua brilhar sobre Arda.  

– Devemos encontrar um lugar para passar a noite. – Propôs o andarilho.  

– Muito sábio, mas ainda temos algumas horas de viagem ao prazer do sol, mesmo após ele, não vejo tanto problema em viajar pela noite tranquila. Podemos procurar um local mais adequado no caminho.  

– Parece um bom plano. Bom te ter aqui comigo. – Ele disse e a elfa abriu um grande sorriso.  

Os dois avançaram pela floresta. Caminharam sem pressa, mas avançaram muito. Escutaram o canto de várias aves, vislumbraram muitos tipos de animais caminharem e se rastejarem por dentre as árvores. Sentiram o aroma de várias plantas e flores. Porém, caminharam calados. Apenas rápidas trocas de olhares e sorrisos.  

Quando a noite já estava presente a muito tempo, a dupla avistou uma casa.  

Era feita de madeira. Tinha uma energia de local antigo, mas não apresentava sinais de ser velha. Situava-se no meio de um círculo de árvores altas, que a escondiam naturalmente. O tom marrom da madeira da casa, se mesclava ao tom dos troncos das árvores próximas. Centralmente na fachada da casa havia uma porta, feita com o mesmo tipo de madeira. Em destaque, no alto centro da porta, uma aldrava de material idêntico a porta repousava tranquilo, a espera de um visitante vir utilizá-lo. Batê-la, chamando seus humildes donos. Á direita da porta, encontrava-se uma janela fechada. Em total união de tom e textura com toda a casa.  

O lugar parecia ser bastante simples e silencioso. Parados lá observando-a, tiveram até a impressão que os cantos dos pássaros ficaram mais distantes. Nenhuma moita se movia, expelindo pequenos animais selvagem e inocentes. Apenas o vento soprava.  

Um caminho de terra, podendo ser chamado de pequena trilha, seguia por dentre as árvores. Iniciava-se próximo onde estavam os viajantes, serpenteando em curvas suaves, indo até a porta da silenciosa casa. 

– Vamos repousar aqui. – Propôs a elfa. – Amanhã continuamos nossa aventura.  

– Uma casa que se ergue em meio a floresta, escondida pela mesma. Alocada exatamente em meio ao caminho que trilhamos. Coincidência demais, não?  

A elfa soltou um risinho e disse. – Ficar por muito tempo calado, tornou-o mais habilidoso com as palavras. Sábio e bravo guerreiro.  

O andarilho soltou um ruído de desaprovação. Desviou o olhar dela para a casa. Parecia tão silenciosa a ponto de emudecer qualquer ser vivo que entrasse nela, ou, consumir a alma de quem ousasse fazer ruídos próximos a ela.  

– Não mude de assunto, Lissëista. Entendeu o que eu quis di…  

– Ora, chega de falar o desnecessário – Interrompeu suavemente. – Ou acha mais confortável descansar aqui ao relento? Parada aqui, o frio da noite se impõe mais forte contra minha pele.  

Ele olhou para ela, seus olhares se encontraram.  

– Vamos para a casa! – Ele concordou com firmeza. Ainda olhando fixamente para a doce elfa.  

No caminho, novas ideias pairavam sobre a mente do elfo.  

– De quem será a casa? – Perguntou em tom distraído.  

– Não tenho tal conhecimento.  

– A forma dela é diferente uma casa élfica. Quem será que a construiu?  

– Uma excelente pergunta, que não posso lhe esclarecer.  

– Elfos com um péssimo senso de decoração? Ou pertencerá a criaturas estranhas? 

– Homens podem construir lares e até pequenas vilas, longe de seus semelhantes. Apesar de raro.  

– Então será uma casa de homens?  

– Está informação é tão duvidosa para mim, como para ti.  

– Parece muito antiga, mas nunca ouvi falar dela. Apesar de não estarmos tão longe de nosso lar. Será mesmo antiga, ou é uma impressão minha?  

– Tal questionamento também me vem à mente. Porém, nenhuma resposta é formada.  

– Você consegue parecer sabia até dizendo que não sabe de nada. Poderia só dizer “Não sei”.  

Ela riu.  

– Será que vamos incomodar muito quem habita nela? Será que são hostis? E se…  

– Se não bater na porta – Disse docemente Lissëista. – Nunca esclarecerá tais dúvidas.  

Olhando fixamente para aqueles olhos brilhantes, ele concordou, com um aceno de cabeça. Se virou para a porta. Encarou-a como se fosse um grande inimigo. Segurou a aldrava de madeira e a bateu com força.   

Nada aconteceu.  

Ele repetiu o gesto e chamou alto. Novamente nada aconteceu. Nenhuma voz, nenhum sinal de movimento. Nada foi ouvido vindo da casa.  

A mente do elfo considerava se alguma aura mágica anulava o som daquele local. Quem estava lá dentro não estaria o escutando? Ou tinha escutado, mas não conseguiam responder de forma audível? Será que estavam vindo? Ou presos em alguma armadilha? E se…  

 – Tente abrir a porta. Um pouco de força pode ajudar.  

O elfo empurrou a porta com as mãos. Sem resultado. Posicionou-se com o corpo pressionando a porta e a empurrou com o ombro, até seu rosto ficar vermelho.   

Nada aconteceu.  

– Obviamente está trancada por dentro. – Resmungou ele.  

– Não há fechadura na porta. – Sinalizou Lissëista.  

– Então deve ter alguma tábua atravessando-a por dentro. Algo assim. Ou será que algum espírito está…  

– Dê uma olhada nos fundos – sugeriu a elfa. – Pode haver uma segunda porta.  

– E te deixar aqui só?  

– Só alguns instantes. Menos palavras, mais ações, querido.  

Ele se dirigiu aos fundos da casa sem mais protestar.  

A elfa se dirigiu à frente da porta. Levantou graciosamente uma das mãos e repousou-a na madeira. Em alguns instantes a porta rangeu de leve e se mexeu. Após uma boa abertura ter sido cedida, ela notou que a porta só lacrava após ser completamente fechada. Com delicadeza, puxou a aldrava fechando-a novamente. A centímetros de lacrar a porta, ela parou. 

O elfo surgiu momentos depois dizendo: 

– Ouvi um barulho, está bem?  

– Preocupou-se comigo? Muito gentil de sua parte, nobre andarilho – Respondeu calmamente Lissëista, enquanto sorria. – O barulho que ouvistes foi o vento na porta. Acho que você a cedeu de leve. Deve ter parado de empurrar perto de conseguir abri-la. Tente de novo, querido.  

Ele pareceu não acreditar, mas o fez. Posicionou-se como antes na porta e a forçou de uma vez. A porta se escancarou, fazendo o elfo cair com tudo no chão. 

Após soltar um grande espirro, disse:  

– Você estava certa… Como sempre!  

Uma risadinha pôde ser ouvida lá fora, antes de adentrar na casa, seguindo seu companheiro.  

A casa era simples. Porém, maior por dentro do que aparentava. A sala onde estavam tinha uma estante vazia num canto, uma mesa ao centro com quatro cadeiras, novamente tudo feito do mesmo material que a casa. Tal fato criava o efeito de que aqueles objetos haviam brotado da casa, como se ela fosse um ser vivo. Uma parede mais ao fundo, também de madeira, tornava a sala quadrada. Deixando apenas um corredor lateral para o resto da casa.  

A quietude lá dentro pesava no ar. 

Lissëista quebrou o silêncio delicadamente – Um ser vivo não passa por este local a muitíssimos anos. Não me agrada invadi-lo mais que o necessário. Vamos repousar aqui mesmo. 

Assim foi feito. Instantes depois de se sentarem num dos cantos, uma grande chuva veio lavar a terra, com força. Logo após, reuniram-se raios e trovões, iluminando e dando uma variedade maior de sons á noite daquele local.  

Ambos permaneceram sentados, um ao lado do outro, conversando durante toda a festa dos elementos. Pareciam ignorar tudo ao redor, concentrando-se apenas em sua conversa.  

Perto do amanhecer, a tempestade cedeu. Os elementos partiram para longe. Rumo a uma festa mais distante, ou quem sabe, um merecido descanso.  

Juntos, os viajantes fizerem o desjejum e partiram. No final do caminho de terra, o elfo olhou para trás, imaginando como tinha ocorrido tudo bem. Seu coração se suavizou. Após caminharem um pouco, já tendo perdido a casa e sua trilha de vista, a dupla pôde ouvir o canto dos pássaros celebrar o sol aparecer no céu. A luz pareceu renovar suas forças e juntos aumentaram o ritmo, seguindo para seu destino.  

Após muitas horas de caminhada, o cheiro do mar pode ser sentido.  

A dupla caminhou admirando toda a floresta. Com a praia aparecendo no horizonte, seus bons olhos lhe mostraram quem procuravam, o armeiro, junto aos barcos. Ele conversava com um velho, que vestia roupas simples e tinha uma postura envergada. Chegando mais próximos, puderam vislumbrar a despedida dos distantes seres.  

Lissëista apurou sua vista, podendo vislumbrar o elfo entregar algo ao ancião, que o guardou rapidamente. Algo pequeno, com um brilho diferenciado. Após isto, o idoso se dirigiu apressadamente em à floresta, entrando pela mesma trilha que seus observadores já quase terminavam. Instantes depois, eles cruzaram seus caminhos.  

– Saudações viajantes! – Falou calorosamente o idoso.  

– Saudações, afetuoso senhor. – Respondeu Lissëista, olhando diretamente nos olhos do indivíduo, enquanto sorria.  

– Saudações… – Murmurou o andarilho sem virar o rosto, dando passos há frente, demonstrando não querer parar e dar atenção ao estranho.  

O ancião o observou de canto de olho e se voltou a elfa.  

– A senhorita me faria o favor, de confirmar o caminho que devo tomar pa…  

– Estamos com pressa para guiar velhos perdidos. – Anunciou o elfo parado a uns dois passos depois dele.  

Lissëista continuava parada em frente ao estranho.  

– Me parece que os elfos destas terras não são tão educados, como aqueles com quem estou acostumado a dialogar.  

– Em nossa grande maioria, somos, sábio andarilho – Respondeu calmamente a elfa. – Meu querido companheiro, é uma rara exceção. Até mesmo nossos familiares e amigos, passaram anos sinalizando está grande vontade em ignorar sua educação. Assim como suas tão insistentes maneiras grosseiras de agir e conversar. Apesar dele possuir um bom e honrado coração, perdoe-me por seus modos. Gentil Senhor. 

O elfo a frente resmungou algo inaudível.  

O velho a contemplou, em seguida disse. – Fala muito bem, doce elfa.  

Ela sorriu e fez uma reverencia.  

 – Não quero atrasar muito mais seu caminho – Disse ele virando os olhos e parte da cabeça na direção do elfo, que aguardava às suas costas. – Mas poderia me dizer o caminho para a floresta das trevas?  

– Surgiram rumores de perigos recentes vindos de lá, ainda mais pra um velho perdido como você.  

O ancião ia começar a dizer algo, mas Lissëista o interrompeu. Ela lhe deu todas as informações desejadas. Com educados cumprimentos, eles se despediram.  

– Não deveria ter instruído ele. O velhinho pode acabar morrendo por lá, se os rumores da sombra forem verdadeiros.  

– Está preocupado com ele? – Perguntou solenemente a elfa, enquanto sorria.  

– Não! Eu só não acho que um velho frágil como… 

– Não se preocupe. Há mais força e poder naquele senhor, que na maioria dos guerreiros conhecidos por ti. – Respondeu ela, num tom frio e distante. Como se apenas falasse alto. 

Ele achou que ela estava brincando. Após alguns passos, já havia esquecido o velho de trajes simples. 

Assim que avistaram Círdan, foram conversar com o elfo dos portos. 

O andarilho apressou-se em ir contar sua história ao armeiro, mas o mesmo já sabia de sua chegada e de seus objetivos. Tiveram uma rápida conversa, onde o construtor de barcos tentou dissuadir o andarilho de seus planos. 

– É muito nobre sua busca e sei que seu orgulho vale muito, mas tem que entender… Muitos procuraram por elas e nenhum terminou bem. 

– Mas mesmo que por pouco tempo, teve o…  

– Ele pagou um preço alto. Além disto, seu destino estava entrelaçado a elas. Sem contar a sorte que teve. Algo assim não ocorrerá novamente.  

– Mas eu poderia tentar. – Respondeu com a voz embasada, o andarilho.  

– Eu vejo seu futuro. – Disse firmemente Círdan. – Não terás o prazer de completar sua missão. Além disso, ele não exigiu tal busca. Sabes que foi só um mal-entendido. Porém, no final vais… 

– Eu vejo que ele completará sua missão. – Disse com doçura e firmeza, a bela elfa, que permanecera calada deste o início da conversa.  

– Por isso não acredito nem tenho paciência com previsões. – Disse em tom de raiva o andarilho. – São sempre coisas incertas, misteriosas, maleáveis. Não quero essas palavras, quero ajuda para tentar cumprir o que desejo!  

Círdan contemplou-o por algum tempo, enquanto fumava. Após uma pausa, ele disponibilizou um pequeno barco, para que os dois pudessem navegar.  

O andarilho agradeceu de uma maneira exagerada, correu em direção ao cais para empurrar o barco e iniciar sua viagem.  

Após sua corrida, Círdan se voltou para Lissëista e lhe confessou em particular. – Ele não concluirá a busca. Ele não encontrará nenhuma delas.  

– Mas ele cumprirá o que deve.  

O armeiro estudou o rosto da elfa, enquanto saboreava seu cachimbo.  

– És muito sábia. Porém, ele ficará muito decepcionado.  

A elfa voltou sua atenção para o andarilho. – Sou conhecedora de tal fato. Vim acima de tudo para consola-lo. Apesar de tudo, ele tem um grande coração.  

Círdan fez um aceno de cabeça e os dois se despediram.  

A dupla de elfos embarcou no simples, mas muito útil, presente de Círdan. Rumo a seu destino.  

O sol já passava do meio do céu quando eles fizeram as terras se tornarem um traço distante, e desaparecer.  

– “Quando a linha de terra atrás de ti deixar, tua busca deves iniciar… – Disse o andarilho, comtemplando o horizonte. – … O que desejas o encontrará, mas tu não entenderás. Repousará na tua mão, antes que se envolva em escuridão.”  

– Me enche de curiosidade imaginar o que pensas destas palavras.  

– Não compreendo por qual razão, não compreenderei algo tão simples. O resto, parece óbvio. 

Lissëista sorriu.  

– Então poderia me explicar o óbvio, sábio marinheiro?  

– Quando a linha de terra atrás de ti deixar, tua busca deves iniciar. Bom, quando o porto de onde partimos desaparecer no horizonte, será hora de começar a procura, ou seja, agora!  

– Continue, por favor.  

– O que desejas o encontrará, mas tu não entenderás. Quer dizer que vou achar uma delas, mas não vou entender. Não faço ideia do motivo de não entender o obvio, nem me importo! Não quero entender, só tê-las nas mãos.  

Ficou um instante em silêncio, antes de continuar sua narração.  

– Repousará na tua mão, antes que se envolva em escuridão. Entendi por isso, que devo toma-las em minhas mãos, antes da noite chegar.  

A expressão da elfa demonstrou surpresa e tristeza. Ainda assim, ela sorriu e disse. – E como pretendes iniciar tua demanda, querido buscador? Conhece as histórias e o paradeiro delas?  

– Por certo que sim! Por isto vim para o mar! – Ele abriu sua mochila e retirou uma rede estranha de lá. – Com esta rede especial, que foi trançada para prender objetos pequenos, eu irei pescar aquela que repousa no mar!  

– Querido… Sabes que ela afundou no mar… Que o mar é vasto… Que ele é fundo.  

– A magia faz essas coisas estranhas acontecerem. Acho que vai dar certo.  

Ambos ficaram em silêncio. Com um sorriso no rosto, Lissëista observou por toda a tarde o agora pescador, jogar sua pequena e diferenciada rede. Devolvendo ao mar tudo que nela vinha, após uma minuciosa busca.  

Após vários mergulhos e puxões de sua rede no mar, ele sentou cansado no barco. Enquanto repousava, um pássaro voou dando voltas no barco e pousou em sua mão. Ele permaneceu com a ave pousada em sua mão, por uns instantes, contemplando-a. Lembrou-se das espécies que conhecia e de como gostava de pássaros. Quando ela partiu, ele a observou ir para longe. Para onde irá? Ele se perguntou.  

Ao voltar sua atenção a sua companheira, notou que ela sorria, com um sorriso ainda mais radiante que o de costume. Ela era tão doce, tão linda, ficava belíssima com aqueles cabelos cor de ouro, banhados pelos raios de sol do fim do dia. 

– Fim do dia!? – Gritou o elfo levantando-se de repente e voltando sua atenção ao sol. Que já terminava de desaparecer no horizonte. – Mas… Eu procurei… Da forma que ela disse. 

Ele abaixou-se até ficar de joelhos, balbuciando coisas inaudíveis. A noite se tornou presente neste momento. Lissëista o envolveu em seus braços, consolando-o, enquanto seus belos olhos se voltavam na direção em que o pássaro partiu, e disse docemente.  

– Está tudo bem, querido. Quando contar tudo que ocorreu nesta viajem ao meu pai, por certo, ele permitirá nossa união.  

– Mas… Não poderei retornar para exibir nenhu…  

– Queres me tomar como tua esposa, ou se vangloriar com elas para o nosso povo? Qual é teu principal objetivo nesta busca? Penses bem meu querido, pois se desejares aqui continuar, à procura de alguma delas, morando perto do porto e passando todos os dias de tua vida nesta caçada. Eu permanecerei ao teu lado, assim como retornaria contigo, ao nosso lar.  

O elfo a comtemplou fascinado. Endireitou sua postura e por fim, disse. – Vamos para casa, minha futura esposa.  

Ela sorriu. – Vamos, meu querido esposo.  

“Quando a linha de terra atrás de ti deixar, tua busca deves iniciar.  

O que desejas o encontrará, mas tu não entenderás. 

Repousará na tua mão, antes que se envolva em escuridão.”

Biografia do autor:

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Alan Vitor, residente de Salvador-Ba, em todos os seus 27 anos de existência. Alimenta a alma com histórias, o corpo com Swordplay e a mente com jogos estratégicos… Como yu-gi-oh!