Carolina Ravazzano

Poema de Carolina Ravazzano

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Rumo às Praias do Oeste
Para em Eldamar cantar
Lá no Fim do Mundo neste
Tempo fora de Além-Mar

De Ilúvatar morada
Silmarilli num colar
Sob a Árvore Dourada
Verde em prata a rebrilhar

Surgem no Eterno Instante
Nas fronteiras do Vazio
Cada canto o Viajante
Com seu Canto atingiu

Cinzento é o Ponente
Visto das Terras de Cá
Pois o Todo Onisciente
Só se encontra em Valimar

Vindas velas no horizonte
Gaivotas a clamar
Silmaril em sua fronte
Ao Destino dos eldar

Segue em busca da cura
Até a Terra Abençoada
Onde a Sombra não perdura
Nem tampouco o fio da espada

Senhor de dupla senda
Do amanhecer arauto
Brisa e espuma transcenda
A Calacirya incauto

O perdão tão almejado
Por Manwë se faz presente
Com Elwing a seu lado
Surge Estrela reluzente

Aiya, Eärendil
O mais nobre marinheiro
Vingilot conduziu
Ao Confronto Derradeiro

Do Vazio as profundezas
Eru, o Sábio, contemplou
As Lamparinas já acesas
O Universo Ele sonhou

Tendo por abrigo estrelas
Os Primeiros viu chegar
Das criaturas, as mais belas
Suaves qual brisa do mar

Mas quando Consciência torna
Aquém dos ares bem-quistos
Seu coração, nascente morna
Acolhe os Filhos Imprevistos

E em sua Criação sublime
Concede aos Últimos a graça
Diz a um: Segue sem crime
Para outra Vida não renasça

De pluma e chapéu azuis
De leve passo amarelo
Senhor do Nada, a Tudo conduz
Não É sem deixar de Sê-lo

Como o orvalho na grama
E o sol brilhando gentil
Além da névoa ele chama
"Acorde, Filha do Rio!"

E lhe digo que não é bom
Vagar na mata sozinho
Onde está o Velho Tom
Perdeu-se pelo caminho?

Ser de segredos tantos
Sempre o mais sincero
Entre risos e prantos
Vem, Tom, eu lhe espero!

Mestre dos tons, cores e formas
Das folhas e juncos esguios
Torpores, sons, a tudo transformas
Sopro e relva sob os lírios

Deste mundo o curandeiro
Doce bálsamo às dores
Teu coração segue certeiro
Brincam teus pés entre as flores

E quando a manhã semeias
Gotejando sobre os galhos
Por teus prados de azaléias
Não são teus esforços falhos

Ao cair da escura aurora
Em pétalas mil te despedes
Do Tempo que um dia fora
Das Eras de amargos reveses

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