Conto: A misteriosa busca de um andarilho misterioso.

II Concurso Literário Toca-BA 2018 
Categoria: Conto 
Autor: Alan Vitor  

Ele andava rápido e inquieto pela mata. Após passar tanto tempo caminhando distraído, voltou ao mundo real após ouvir um barulho de passos perto. Desde então o perseguido acelerara os passos. Os ruídos fizeram o mesmo.  

Em sua mente, mil coisas se passavam. Incluindo se estava fazendo o caminho certo!  

Quando suas pernas começaram a cansar, ele decidiu enfrentar o perseguidor. Sacou sua espada e gritou.  

– Saia das sombras criatura covarde. Enfrente este grande guerreiro, de igual para igual!  

Ele sorriu. Aquilo pareceu bastante corajoso e intimidador. Achava que, com tal desafio, conseguiria afugentaria qualquer quer um.   

– Grande guerreiro? – Respondeu uma voz doce.  

Então das sombras das árvores saiu uma elfa, não tão alta como costumam ser. Seus olhos brilhavam como as estrelas, seus cabelos pareciam fios de ouro, sua voz parecia penetrar a alma dos ouvintes. Particularmente, o surpreendido perseguido achava adoráveis suas bochechas, quando ela sorria.   

Ela sorriu e disse.  

– E não foi nada gentil de sua parte, chamar-me de criatura covarde.  

– Criatura adorável… – Balbuciou o guerreiro sem perceber.  

Ela riu  

– Não! Eu quis dizer. Digo, não quis dizer que…   

– Eu entendo – Respondeu a elfa. – Não precisa se explicar.  

– Mas então… O que está fazendo aqui?  

– Achei que precisaria de ajuda em sua busca.  

– Não preciso! Estou indo muito bem em minha jornada, desde que saí de lá.  

– Achei que sentiria fome, já que esqueceu os mantimentos que separei para ti – Disse a elfa levantando uma sacola que ele ainda não havia notado. – Então resolvi trazer.  

Ele soltou um ruído de indignação.  

– Sabia que tinha esquecido algo importante! Mas…  

– Também gostaria de passear por onde vais. Realmente deixaras-me para trás no tédio?  

– Não! Você… Eu. – O elfo respirou fundo para se acalmar. – Tudo bem, deixarei você me acompanhar, Lissëista.  

Ela sorriu novamente. Seu sorriso, ela por completo, irradiava uma luz fora do normal. Um brilho excepcional.  

– Então, já se certificou que não vai precisar dessa espada para lidar comigo?  

– Espada? – O viajante olhou para a arma que tinha em punho. – Ah sim! Já havia esquecido dela.  

– Não deveria esquecer-se das suas armas durante uma conversa, pode ser surpreendido.  

– Não preciso me preocupar falando com uma coisa bela, como você. – Respondeu ele, embainhando sua espada.  

– As coisas mais belas, por vezes, são as mais perigosas. – Sussurrou a elfa.  

– O que disse?  

– Nada. Vamos comer algo? – Sugeriu a elfa. 

– Vamos, já tem muito tempo desde que parti.  

– Tem razão. É quase meio dia e você partiu ao nascer do sol.  

– Na realidade – Disse o viajante, sentando-se em uma grande pedra. – Terminei o desjejum após isso. Depois ainda fui arrumar a mochila.  

A elfa sorriu e se dirigiu lentamente para onde ele estava, parecia flutuar enquanto andava. Como ela conseguiu alcança-lo de tão longe e segui-lo por tanto tempo?  

– Vamos comer logo, querido andarilho. Sua demanda mal começou. – Disse docemente a elfa olhando-o nos olhos, com um brilhante sorriso.  

Após a refeição, perceberam que o sol já se preparava para descer, dando a vez da lua brilhar sobre Arda.  

– Devemos encontrar um lugar para passar a noite. – Propôs o andarilho.  

– Muito sábio, mas ainda temos algumas horas de viagem ao prazer do sol, mesmo após ele, não vejo tanto problema em viajar pela noite tranquila. Podemos procurar um local mais adequado no caminho.  

– Parece um bom plano. Bom te ter aqui comigo. – Ele disse e a elfa abriu um grande sorriso.  

Os dois avançaram pela floresta. Caminharam sem pressa, mas avançaram muito. Escutaram o canto de várias aves, vislumbraram muitos tipos de animais caminharem e se rastejarem por dentre as árvores. Sentiram o aroma de várias plantas e flores. Porém, caminharam calados. Apenas rápidas trocas de olhares e sorrisos.  

Quando a noite já estava presente a muito tempo, a dupla avistou uma casa.  

Era feita de madeira. Tinha uma energia de local antigo, mas não apresentava sinais de ser velha. Situava-se no meio de um círculo de árvores altas, que a escondiam naturalmente. O tom marrom da madeira da casa, se mesclava ao tom dos troncos das árvores próximas. Centralmente na fachada da casa havia uma porta, feita com o mesmo tipo de madeira. Em destaque, no alto centro da porta, uma aldrava de material idêntico a porta repousava tranquilo, a espera de um visitante vir utilizá-lo. Batê-la, chamando seus humildes donos. Á direita da porta, encontrava-se uma janela fechada. Em total união de tom e textura com toda a casa.  

O lugar parecia ser bastante simples e silencioso. Parados lá observando-a, tiveram até a impressão que os cantos dos pássaros ficaram mais distantes. Nenhuma moita se movia, expelindo pequenos animais selvagem e inocentes. Apenas o vento soprava.  

Um caminho de terra, podendo ser chamado de pequena trilha, seguia por dentre as árvores. Iniciava-se próximo onde estavam os viajantes, serpenteando em curvas suaves, indo até a porta da silenciosa casa. 

– Vamos repousar aqui. – Propôs a elfa. – Amanhã continuamos nossa aventura.  

– Uma casa que se ergue em meio a floresta, escondida pela mesma. Alocada exatamente em meio ao caminho que trilhamos. Coincidência demais, não?  

A elfa soltou um risinho e disse. – Ficar por muito tempo calado, tornou-o mais habilidoso com as palavras. Sábio e bravo guerreiro.  

O andarilho soltou um ruído de desaprovação. Desviou o olhar dela para a casa. Parecia tão silenciosa a ponto de emudecer qualquer ser vivo que entrasse nela, ou, consumir a alma de quem ousasse fazer ruídos próximos a ela.  

– Não mude de assunto, Lissëista. Entendeu o que eu quis di…  

– Ora, chega de falar o desnecessário – Interrompeu suavemente. – Ou acha mais confortável descansar aqui ao relento? Parada aqui, o frio da noite se impõe mais forte contra minha pele.  

Ele olhou para ela, seus olhares se encontraram.  

– Vamos para a casa! – Ele concordou com firmeza. Ainda olhando fixamente para a doce elfa.  

No caminho, novas ideias pairavam sobre a mente do elfo.  

– De quem será a casa? – Perguntou em tom distraído.  

– Não tenho tal conhecimento.  

– A forma dela é diferente uma casa élfica. Quem será que a construiu?  

– Uma excelente pergunta, que não posso lhe esclarecer.  

– Elfos com um péssimo senso de decoração? Ou pertencerá a criaturas estranhas? 

– Homens podem construir lares e até pequenas vilas, longe de seus semelhantes. Apesar de raro.  

– Então será uma casa de homens?  

– Está informação é tão duvidosa para mim, como para ti.  

– Parece muito antiga, mas nunca ouvi falar dela. Apesar de não estarmos tão longe de nosso lar. Será mesmo antiga, ou é uma impressão minha?  

– Tal questionamento também me vem à mente. Porém, nenhuma resposta é formada.  

– Você consegue parecer sabia até dizendo que não sabe de nada. Poderia só dizer “Não sei”.  

Ela riu.  

– Será que vamos incomodar muito quem habita nela? Será que são hostis? E se…  

– Se não bater na porta – Disse docemente Lissëista. – Nunca esclarecerá tais dúvidas.  

Olhando fixamente para aqueles olhos brilhantes, ele concordou, com um aceno de cabeça. Se virou para a porta. Encarou-a como se fosse um grande inimigo. Segurou a aldrava de madeira e a bateu com força.   

Nada aconteceu.  

Ele repetiu o gesto e chamou alto. Novamente nada aconteceu. Nenhuma voz, nenhum sinal de movimento. Nada foi ouvido vindo da casa.  

A mente do elfo considerava se alguma aura mágica anulava o som daquele local. Quem estava lá dentro não estaria o escutando? Ou tinha escutado, mas não conseguiam responder de forma audível? Será que estavam vindo? Ou presos em alguma armadilha? E se…  

 – Tente abrir a porta. Um pouco de força pode ajudar.  

O elfo empurrou a porta com as mãos. Sem resultado. Posicionou-se com o corpo pressionando a porta e a empurrou com o ombro, até seu rosto ficar vermelho.   

Nada aconteceu.  

– Obviamente está trancada por dentro. – Resmungou ele.  

– Não há fechadura na porta. – Sinalizou Lissëista.  

– Então deve ter alguma tábua atravessando-a por dentro. Algo assim. Ou será que algum espírito está…  

– Dê uma olhada nos fundos – sugeriu a elfa. – Pode haver uma segunda porta.  

– E te deixar aqui só?  

– Só alguns instantes. Menos palavras, mais ações, querido.  

Ele se dirigiu aos fundos da casa sem mais protestar.  

A elfa se dirigiu à frente da porta. Levantou graciosamente uma das mãos e repousou-a na madeira. Em alguns instantes a porta rangeu de leve e se mexeu. Após uma boa abertura ter sido cedida, ela notou que a porta só lacrava após ser completamente fechada. Com delicadeza, puxou a aldrava fechando-a novamente. A centímetros de lacrar a porta, ela parou. 

O elfo surgiu momentos depois dizendo: 

– Ouvi um barulho, está bem?  

– Preocupou-se comigo? Muito gentil de sua parte, nobre andarilho – Respondeu calmamente Lissëista, enquanto sorria. – O barulho que ouvistes foi o vento na porta. Acho que você a cedeu de leve. Deve ter parado de empurrar perto de conseguir abri-la. Tente de novo, querido.  

Ele pareceu não acreditar, mas o fez. Posicionou-se como antes na porta e a forçou de uma vez. A porta se escancarou, fazendo o elfo cair com tudo no chão. 

Após soltar um grande espirro, disse:  

– Você estava certa… Como sempre!  

Uma risadinha pôde ser ouvida lá fora, antes de adentrar na casa, seguindo seu companheiro.  

A casa era simples. Porém, maior por dentro do que aparentava. A sala onde estavam tinha uma estante vazia num canto, uma mesa ao centro com quatro cadeiras, novamente tudo feito do mesmo material que a casa. Tal fato criava o efeito de que aqueles objetos haviam brotado da casa, como se ela fosse um ser vivo. Uma parede mais ao fundo, também de madeira, tornava a sala quadrada. Deixando apenas um corredor lateral para o resto da casa.  

A quietude lá dentro pesava no ar. 

Lissëista quebrou o silêncio delicadamente – Um ser vivo não passa por este local a muitíssimos anos. Não me agrada invadi-lo mais que o necessário. Vamos repousar aqui mesmo. 

Assim foi feito. Instantes depois de se sentarem num dos cantos, uma grande chuva veio lavar a terra, com força. Logo após, reuniram-se raios e trovões, iluminando e dando uma variedade maior de sons á noite daquele local.  

Ambos permaneceram sentados, um ao lado do outro, conversando durante toda a festa dos elementos. Pareciam ignorar tudo ao redor, concentrando-se apenas em sua conversa.  

Perto do amanhecer, a tempestade cedeu. Os elementos partiram para longe. Rumo a uma festa mais distante, ou quem sabe, um merecido descanso.  

Juntos, os viajantes fizerem o desjejum e partiram. No final do caminho de terra, o elfo olhou para trás, imaginando como tinha ocorrido tudo bem. Seu coração se suavizou. Após caminharem um pouco, já tendo perdido a casa e sua trilha de vista, a dupla pôde ouvir o canto dos pássaros celebrar o sol aparecer no céu. A luz pareceu renovar suas forças e juntos aumentaram o ritmo, seguindo para seu destino.  

Após muitas horas de caminhada, o cheiro do mar pode ser sentido.  

A dupla caminhou admirando toda a floresta. Com a praia aparecendo no horizonte, seus bons olhos lhe mostraram quem procuravam, o armeiro, junto aos barcos. Ele conversava com um velho, que vestia roupas simples e tinha uma postura envergada. Chegando mais próximos, puderam vislumbrar a despedida dos distantes seres.  

Lissëista apurou sua vista, podendo vislumbrar o elfo entregar algo ao ancião, que o guardou rapidamente. Algo pequeno, com um brilho diferenciado. Após isto, o idoso se dirigiu apressadamente em à floresta, entrando pela mesma trilha que seus observadores já quase terminavam. Instantes depois, eles cruzaram seus caminhos.  

– Saudações viajantes! – Falou calorosamente o idoso.  

– Saudações, afetuoso senhor. – Respondeu Lissëista, olhando diretamente nos olhos do indivíduo, enquanto sorria.  

– Saudações… – Murmurou o andarilho sem virar o rosto, dando passos há frente, demonstrando não querer parar e dar atenção ao estranho.  

O ancião o observou de canto de olho e se voltou a elfa.  

– A senhorita me faria o favor, de confirmar o caminho que devo tomar pa…  

– Estamos com pressa para guiar velhos perdidos. – Anunciou o elfo parado a uns dois passos depois dele.  

Lissëista continuava parada em frente ao estranho.  

– Me parece que os elfos destas terras não são tão educados, como aqueles com quem estou acostumado a dialogar.  

– Em nossa grande maioria, somos, sábio andarilho – Respondeu calmamente a elfa. – Meu querido companheiro, é uma rara exceção. Até mesmo nossos familiares e amigos, passaram anos sinalizando está grande vontade em ignorar sua educação. Assim como suas tão insistentes maneiras grosseiras de agir e conversar. Apesar dele possuir um bom e honrado coração, perdoe-me por seus modos. Gentil Senhor. 

O elfo a frente resmungou algo inaudível.  

O velho a contemplou, em seguida disse. – Fala muito bem, doce elfa.  

Ela sorriu e fez uma reverencia.  

 – Não quero atrasar muito mais seu caminho – Disse ele virando os olhos e parte da cabeça na direção do elfo, que aguardava às suas costas. – Mas poderia me dizer o caminho para a floresta das trevas?  

– Surgiram rumores de perigos recentes vindos de lá, ainda mais pra um velho perdido como você.  

O ancião ia começar a dizer algo, mas Lissëista o interrompeu. Ela lhe deu todas as informações desejadas. Com educados cumprimentos, eles se despediram.  

– Não deveria ter instruído ele. O velhinho pode acabar morrendo por lá, se os rumores da sombra forem verdadeiros.  

– Está preocupado com ele? – Perguntou solenemente a elfa, enquanto sorria.  

– Não! Eu só não acho que um velho frágil como… 

– Não se preocupe. Há mais força e poder naquele senhor, que na maioria dos guerreiros conhecidos por ti. – Respondeu ela, num tom frio e distante. Como se apenas falasse alto. 

Ele achou que ela estava brincando. Após alguns passos, já havia esquecido o velho de trajes simples. 

Assim que avistaram Círdan, foram conversar com o elfo dos portos. 

O andarilho apressou-se em ir contar sua história ao armeiro, mas o mesmo já sabia de sua chegada e de seus objetivos. Tiveram uma rápida conversa, onde o construtor de barcos tentou dissuadir o andarilho de seus planos. 

– É muito nobre sua busca e sei que seu orgulho vale muito, mas tem que entender… Muitos procuraram por elas e nenhum terminou bem. 

– Mas mesmo que por pouco tempo, teve o…  

– Ele pagou um preço alto. Além disto, seu destino estava entrelaçado a elas. Sem contar a sorte que teve. Algo assim não ocorrerá novamente.  

– Mas eu poderia tentar. – Respondeu com a voz embasada, o andarilho.  

– Eu vejo seu futuro. – Disse firmemente Círdan. – Não terás o prazer de completar sua missão. Além disso, ele não exigiu tal busca. Sabes que foi só um mal-entendido. Porém, no final vais… 

– Eu vejo que ele completará sua missão. – Disse com doçura e firmeza, a bela elfa, que permanecera calada deste o início da conversa.  

– Por isso não acredito nem tenho paciência com previsões. – Disse em tom de raiva o andarilho. – São sempre coisas incertas, misteriosas, maleáveis. Não quero essas palavras, quero ajuda para tentar cumprir o que desejo!  

Círdan contemplou-o por algum tempo, enquanto fumava. Após uma pausa, ele disponibilizou um pequeno barco, para que os dois pudessem navegar.  

O andarilho agradeceu de uma maneira exagerada, correu em direção ao cais para empurrar o barco e iniciar sua viagem.  

Após sua corrida, Círdan se voltou para Lissëista e lhe confessou em particular. – Ele não concluirá a busca. Ele não encontrará nenhuma delas.  

– Mas ele cumprirá o que deve.  

O armeiro estudou o rosto da elfa, enquanto saboreava seu cachimbo.  

– És muito sábia. Porém, ele ficará muito decepcionado.  

A elfa voltou sua atenção para o andarilho. – Sou conhecedora de tal fato. Vim acima de tudo para consola-lo. Apesar de tudo, ele tem um grande coração.  

Círdan fez um aceno de cabeça e os dois se despediram.  

A dupla de elfos embarcou no simples, mas muito útil, presente de Círdan. Rumo a seu destino.  

O sol já passava do meio do céu quando eles fizeram as terras se tornarem um traço distante, e desaparecer.  

– “Quando a linha de terra atrás de ti deixar, tua busca deves iniciar… – Disse o andarilho, comtemplando o horizonte. – … O que desejas o encontrará, mas tu não entenderás. Repousará na tua mão, antes que se envolva em escuridão.”  

– Me enche de curiosidade imaginar o que pensas destas palavras.  

– Não compreendo por qual razão, não compreenderei algo tão simples. O resto, parece óbvio. 

Lissëista sorriu.  

– Então poderia me explicar o óbvio, sábio marinheiro?  

– Quando a linha de terra atrás de ti deixar, tua busca deves iniciar. Bom, quando o porto de onde partimos desaparecer no horizonte, será hora de começar a procura, ou seja, agora!  

– Continue, por favor.  

– O que desejas o encontrará, mas tu não entenderás. Quer dizer que vou achar uma delas, mas não vou entender. Não faço ideia do motivo de não entender o obvio, nem me importo! Não quero entender, só tê-las nas mãos.  

Ficou um instante em silêncio, antes de continuar sua narração.  

– Repousará na tua mão, antes que se envolva em escuridão. Entendi por isso, que devo toma-las em minhas mãos, antes da noite chegar.  

A expressão da elfa demonstrou surpresa e tristeza. Ainda assim, ela sorriu e disse. – E como pretendes iniciar tua demanda, querido buscador? Conhece as histórias e o paradeiro delas?  

– Por certo que sim! Por isto vim para o mar! – Ele abriu sua mochila e retirou uma rede estranha de lá. – Com esta rede especial, que foi trançada para prender objetos pequenos, eu irei pescar aquela que repousa no mar!  

– Querido… Sabes que ela afundou no mar… Que o mar é vasto… Que ele é fundo.  

– A magia faz essas coisas estranhas acontecerem. Acho que vai dar certo.  

Ambos ficaram em silêncio. Com um sorriso no rosto, Lissëista observou por toda a tarde o agora pescador, jogar sua pequena e diferenciada rede. Devolvendo ao mar tudo que nela vinha, após uma minuciosa busca.  

Após vários mergulhos e puxões de sua rede no mar, ele sentou cansado no barco. Enquanto repousava, um pássaro voou dando voltas no barco e pousou em sua mão. Ele permaneceu com a ave pousada em sua mão, por uns instantes, contemplando-a. Lembrou-se das espécies que conhecia e de como gostava de pássaros. Quando ela partiu, ele a observou ir para longe. Para onde irá? Ele se perguntou.  

Ao voltar sua atenção a sua companheira, notou que ela sorria, com um sorriso ainda mais radiante que o de costume. Ela era tão doce, tão linda, ficava belíssima com aqueles cabelos cor de ouro, banhados pelos raios de sol do fim do dia. 

– Fim do dia!? – Gritou o elfo levantando-se de repente e voltando sua atenção ao sol. Que já terminava de desaparecer no horizonte. – Mas… Eu procurei… Da forma que ela disse. 

Ele abaixou-se até ficar de joelhos, balbuciando coisas inaudíveis. A noite se tornou presente neste momento. Lissëista o envolveu em seus braços, consolando-o, enquanto seus belos olhos se voltavam na direção em que o pássaro partiu, e disse docemente.  

– Está tudo bem, querido. Quando contar tudo que ocorreu nesta viajem ao meu pai, por certo, ele permitirá nossa união.  

– Mas… Não poderei retornar para exibir nenhu…  

– Queres me tomar como tua esposa, ou se vangloriar com elas para o nosso povo? Qual é teu principal objetivo nesta busca? Penses bem meu querido, pois se desejares aqui continuar, à procura de alguma delas, morando perto do porto e passando todos os dias de tua vida nesta caçada. Eu permanecerei ao teu lado, assim como retornaria contigo, ao nosso lar.  

O elfo a comtemplou fascinado. Endireitou sua postura e por fim, disse. – Vamos para casa, minha futura esposa.  

Ela sorriu. – Vamos, meu querido esposo.  

“Quando a linha de terra atrás de ti deixar, tua busca deves iniciar.  

O que desejas o encontrará, mas tu não entenderás. 

Repousará na tua mão, antes que se envolva em escuridão.”

Biografia do autor:

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Alan Vitor, residente de Salvador-Ba, em todos os seus 27 anos de existência. Alimenta a alma com histórias, o corpo com Swordplay e a mente com jogos estratégicos… Como yu-gi-oh!

Eventos realizados em 2020


 Quem somos?

A Toca-Ba uma das subdivisões do Conselho Branco – Sociedade Tolkien, como objetivo a promoção de pesquisas e outras atividades relacionadas à vida e obra do escritor J.R.R Tolkien na Bahia. Um ramo do Conselho Branco que é a representação Brasileira do escritor.

– Organizadores
-Patrick Jorge Araujo de Queiros (presidente-Thain)
-André Vidigal Silva Guimarães (vice-presidente)

Eventos realizados:

Data: 03/01/2020
Horário: 19 às 22h
Encontro em um bar

Juntos nos reunimos para desfrutar e celebrar o esplendor da criatividade de J.R.R Tolkien, e através desse vínculo criado através de suas obras forjar laços de amizade cada vez mais vindouros.

FEVEREIRO- Sessão de Cinema com a Toca-BA

Data: 29/02/2020
Horário: 14h às 16h
Entrada: Gratuita
Local: Foyer da Biblioteca Central do Estado da Bahia

Sessão de Cinema com filmes criados por fãs das obras de Tolkien onde foi exibido, o média-metragem sem fins lucrativos chamado “Tolkien’s Road”, escrito e dirigido por Nye Green, um estudante de cinema que fez do filme seu projeto de conclusão de curso. Green filmou nos arredores de Los Angeles, EUA, e usou estúdio para recriar o interior da casa de Tolkien e o pub frequentado por ele e seus amigos e outro média metragem chamado de The Hunt for Gollum é um filme de fantasia britânico de 2009, produzido por fãs, baseado nos apêndices de O Senhor dos Anéis, de J. R. R. Tolkien. O enredo do filme se passa na Terra-média, quando o mago Gandalf, o Cinza, teme que Gollum possa revelar informações sobre o Um Anel ao necromante Sauron.


A Toca-Ba gostaria de agradecer a toda a equipe que permitiu esse evento. Nossos sinceros agradecimentos a:

-A Biblioteca Central dos Barris que sempre nos apoia nos eventos cedendo espaço e equipamentos.

-As nossas Fotógrafas do dia Nai-chan Thinai e Anny Miranda por fazerem o registro do evento

-A equipe que colaborou a carregar as cadeiras e arrumar o equipamento Patrick Queiros Fred Barreto Gabriel Coimbra

-A André Guimarães que traduziu e fez as legendas do filme Tolkien Toast e a Patrick Queiros quem fez o processo de download e filmes, assim como os comentários de ambos após exibição dos filmes.
-A editora HarperCollins Brasil que nos enviou um exemplar para sorteio de O Senhor dos Anéis: A sociedade do Anel para sorteio, tendo como ganhador do sorteio Dimitrius Khouri, que ficou muito feliz.

MARÇODia de Ler Tolkien 

Data: 25/03/2020
Evento: Online pelo instagram e facebook

O dia de Ler Tolkien foi comemorado pelos membros do Estado da Bahia de forma online por meio de 2 atividades, a primeira consiste em numa sessão de fotos das coleções dos membros da Toca_Ba, ou melhor, das viagens que temos feito nesses dias, tiradas no Dia de Ler Tolkien
https://www.instagram.com/p/B-Zs2sshQ3E/
A segunda consiste em vídeos dos fãs da obra de tolkien na Bahia que gostaria de nos enviar lendo trechos de livros de Tolkien exibidos em nossas redes sociais.
https://www.instagram.com/p/B-LXnVkhHTd/

O primeiro: Patrick Queiros lê um trecho do livro Os Filhos de Húrin. Depois Leitura do livro Roverandom-Poema “Progress in Bimble Town”. Helena lê um trecho da biografia de Tolkien, escrita por Michael White. @agarota docabeloverde lê um trecho de O Hobbit.

MAIO-Clube do livro A história de Kullervo

Data:03/05/2020
Horário: 18 as 20h
Plataforma: Google meet
Público: 06 pessoas

Debatemos sobre as inspirações de tolkien na história de Kullervo nos personagens, Kullervo>Turin e Wanona – que inspirou Nienor.
-Discutimos sobre como a escravidão é representada através dos filhos de Kalervo.
– Debatemos sobre a influência do Kalevala na história de Kullervo.

JUNHO- Quiz do Conselho Branco

Objetivo do evento: simbolizar uma união entre as tocas atualmente ativas, representando a volta do Conselho Branco Sociedade Tolkien.

Data: 28/06/2020
Horário 15h
Plataforma: Discord
Livro escolhido: Silmarillion
Quiz foi criado por Patrick Queiros, Thain da Toca-Ba, constando com 40 perguntas. 

JULHO e AGOSTO- Leitura conjunta do livro Roverandom


Data: 31/08 a 04/09/2020
Horário: 20 as 21h
Evento online pela plataforma: Google meet

Objetivo: Tendo em vista o fato que as pessoas não estavam lendo em casa o livro completo para os encontros, pensou-se em realizar leitura online de livros menores, como é o caso de Roverandom, como modo de incentivar as pessoas a lerem. A proposta deu certo, com cada pessoa lendo 10 páginas, tendo em média de 5 a 9 pessoas por dia, sendo que destas só duas já haviam lido ao livro anteriormente.

AGOSTO- Dia 22/09/2020 Hobbit Day às 19h, através live no instagram da toca-ce

A Toca-Ce e a Toca-ba juntas prepararam um Quiz para sua diversão no Hobbit Day. Sendo um enorme prazer fazer parceria com outra toca do Nordeste.
Contribuições:
– Os prêmios são da toca-ce.
-O Quiz foi foram criadas 11 perguntas por Patrick Queiros Thain da toca-Ba
-10 perguntas foram criadas por Talita Lobão vice da toca-Ce
– Wesley e Talita (toca-ce) fizeram uma live no instagram e Patrick realizou o monitoramento dos comentários no instagram. 

OUTUBRO- Caradas do escuro

As tocas: Bahia, Ceará, Rio Grande do Norte e São Paulo, realizaram em parceria o primeiro concurso de charadas autorais inspiradas no universo criado pelo professor Tolkien. Todos os interessados em participar como autores, enviaram suas charadas para o email tocabaconselhobranco@gmail.com  até o dia 18/10.

Destas foram escolhidas cinco charadas por Toca e o concurso aconteceu em 23 De outubro pelo Google meet. As charadas escolhidas foram lidas pelos seus autores, enquanto representantes de cada toca tentaram solucioná-las, tal qual Bilbo quando se perdeu da companhia dos anões nas montanhas nevoentas.
Os textos das adivinhas criadas por ocasião do evento serão organizados sob forma da coletânea “Outros Enigmas no Escuro: Uma Coletânea de Charadas pelas Tocas do Nordeste” e publicadas na página oficial da Toca BA, com os devidos créditos aos produtores dos textos.

Regras do concurso podem ser acessadas pelo link abaixo:
https://docs.google.com/document/d/1CgPVR-Dvt9pyiVxPISqb6OMaTllpQrlKhd77D4Kj-DA/edit

Resultado da Competição:

1 Lugar: Toca-Ba

2 Lugar: toca.ce empatada com toca.rn

3 Lugar toca.sp

Grupo de estudos:  A  Queda de Artur via google meet

A Toca-ba em parceria com Filhos.de.durin e a Toca-Rs organizou um estudo do mito arturiano para vocês. Utilizando como leitura principal A Queda de Artur um livro de Tolkien,além disso disponibilizamos artigos acadêmicos de leitura complementar para auxiliar na melhor compreensão do livro.

Registro do encontro dia 28/11/2020

A imagem pode conter: 3 pessoas, texto

Pontos Debatidos:
– Os elementos carregados pelo Rei Artur, o elmo em forma de dragão, o escudo com a Imagem da Virgem Maria representando o Cristianismo e a Espada como uma representação da mitologia pagã
-Filmes do Rei Artur e como essa representação midiática se aproxima ou se distância de algumas versões da lenda de Artur e se não seria um licença, já que não existe um documento Original da Queda do Rei Artur, não se sabe sequer se existiu.
– A possível relação entre Avalon e Tol Eressëa, em que Tolkien pode tê-la utilizado como base para ilha.
-Os romanos invadiram o sudeste de Britania em 43 a.c construíram muro Adriano para impedir os oictos, escotos, Irlandeses atacassem Britânia. Com a queda do Império romano século 5 os britânicos começaram a ser atacados pelos antigos inimigos e por povos que vinham do mar do norte como saxões.
Com a dominação anglo-saxã os bretões fugiram para as montanhas no oeste e norte (Cornualha, País de Gales e Escócia), foram para o sul estabelecendo-se na Pequena Bretanha, na Armórica na França.


DEZEMBRO- Evento de Natal

Data: 01 a 04/12
Horário: 21 as 22h
Durante 4 dias
Plataforma: Google Mett

Leitura em conjunto com as tocas: Toca-BA, Toca-CE, Toca-RN, Toca-SP. Com cada membro lendo 5 páginas do livro, mediada pelo Thain da Toca-Ba Patrick Queiros.

Primeiro dia de leitura: 01/12/2020

Leitores:Patrick Queiros pág 5 a 17
Wesley: 18 a 29
André Guimarães: 30 a 42
Larah Ferreira: 43 a 53
Talita Lobão: 54 a 57
Debate:-As bombas que o Urso Polar estourou é uma maneira do Tolkien explicar o porque das crianças não poderem receber as bombinhas.
-Existe uma entrevista em que John fala que ele parou de escrever porque certa vez ele acordou durante a noite e viu o pai depositando as cartas, desde então parou de acreditar o papai noel.
-Os membros gostaram bastante do Urso polar e como ele são engraçados.
-Foi debatido sobre as outras obras em que o Homem da Lua aparece que são(Roverandom, SDA, as aventuras de Tom Bombadil)Muito Obrigado a todos(as) que puderam comparecer.

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Leitura Cartas de Papai Noel Dia 02/12/2020
Leitores:Bianca Sampaio-59 a 70
Georgiana Sampaio 70 a 77
André 78 a 86
Debate:– Correlacionando a bombas soltadas pelos ursos polar contra os trasgos podem ser uma referência a Guerra civil Espanhola e as crianças desabrigadas nessa época. -Desenho de Oxford em uma das ilustrações – Na versão original é Gobelins e não Trasgos como nas traduções português da Martin Fontes. – Como Tolkien explica aos filhos a questão da necedade em que as pessoas estavam vivendo, passando fome, descrevendo nas cartas que o Papai Noel estava levando mantimentos, cobertores.

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Leitura de cartas de papai noel dia 03/12/2020
Marcos Guerra 88 a 99
Cássio Costa 100 a 110
Halisson Rodriges 111 a 120
Patrick Queiros 121 a 123
Debate:-Ibreth o urso pode ser a inspiração para Elbereth Gilthoniel
– Dormir que tanto falam pode se referir ao dormir-pantomima que aparece em uma das cartas, é um tipo de peça cômica, geralmente parodia de historias famosas como Cinderela ou Robin Hood.- Leitura do poema de Clement Clarke Moore: “VÉSPERA DE NATAL” para compreendermos a representação da imagem de papai noel.-Nos perguntamos sobre a origem das renas? – Conversamos sobre como foi criada a representação do papai noel pela coca-cola.

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Tolkien e Elomar: O Mago Britânico e o Menestrel Sertanez

É coisa sabida se apontar a obra do Professor J. R. R. Tolkien como concernente a diversas críticas à modernidade. Ao se averiguar que os grandes objetos mágicos de seu Mundo Secundário, a Terra-média, são rechaçados pela sabedoria ou moral de seus marcantes personagens, a lista de tragédias e perigos que sua literatura apresenta nos traz bem mais que uma lição admonitória: As Silmarils, os Anéis de Poder, os Palantíri, cada um dos objetos mágicos que extrapola as leis naturais do mundo imaginário do célebre filólogo, parecem, mesmo que calcadas “numa boa intenção”, acabar por trazer o mal. E, em última instância, a perda total do próprio livre-arbítrio dos qual tais construtos nos pareciam ser os principais expoentes.

Para o analista junguiano Robert A. Johnson , autor de “He: A chave do entendimento da psicologia masculina”:  “Os primeiros mitos, frequentemente, versam sobre a descoberta do poder que emerge da terra e vai para mãos humanas. Os mais recentes, falam da volta do poder à terra, às mãos de Deus, antes que nos destruamos com ele.”

Ou seja, o fogo de Prometeu, de súbito, começa a nos queimar os dedos. É preciso devolvê-lo ao Olimpo, negá-lo em essência e retornar a humanidade a um estado de pureza pré-prometeica.  Parece ser isso que os mitos mais jovens nos apontam. Teremos usado o fogo dos deuses erradamente? O que saiu errado?

Elomar Figueira Mello, compositor e poeta Bahiano, nunca leu Tolkien, porém, concorda plenamente com essa assertiva. Criado no interior de seu estado, tal como o escritor de “O Hobbit”, Elomar teve uma infância cheia de recortes que culminaram em ecos que ressoam na sua produção criativa. Não lutou em uma guerra mundial, mas viu, dia após dia, o espírito humano prevalecer sob o conflito entre a vida e a morte no Semi-árido Nordestino. Sendo responsável por uma discografia com cerca de
17 discos, além de óperas, antífonas e sinfonias, é graduado em Arquitetura. Mantém a prática do violão autodidata, bem como a composição, que flerta entre o erudito e o popular. Alimentando ambos com uma profunda dedicação ao universo a que cunhou a expressão “Sertanez”, evitando a expressão “Sertanejo”, a fim de se afastar do caráter midiático que a palavra tomou nos últimos anos.

Evitar a mídia, por sinal, é ponto passivo no caráter do músico. Basta usarmos como exemplo a descrição presente no encarte de seu disco “Nas quadradas das águas perdidas”, redigida por Tania Pacheco: “Elomar é uma estranha mistura. ‘Prumodi’ compreendê-lo, é preciso viajar 500 e poucos quilômetros, de Salvador até Vitória da Conquista; embrenhar-se com ele numa estradinha de 102 quilômetros, que se percorre de carro, e quatro horas; e, depois andar, mais quilômetro e meio a pé, atravessando na areia seca os dois braços do (Rio) Gavião, vendo os corpos dos cabritinhos mortos ao sol. Tudo isso faz parte do aprendizado. Tudo isso – apenas isso!
– Explica o homem inquieto, cercado de morte, empenhado em cantar a vida eterna”.

Para melhor compreendermos a que a autora se refere quando cita “vida eterna”, cabe aqui mais um excerto de um disco do artista:

“Na tradição catingueira, como também entre todos os despossuídos, há uma crença de que Deus está mais presente na necessidade e na precisão, por isso seu reencontro mais provável será nas terras quebradas da natureza.”, nos diz o historiador Ernani Maurílio, no encarte do LP “Auto da Catingueira”, um dos álbuns centrais da obra Elomariana.

Logo, se nos é possível responder como regressar àquele estado de unidade que abandonamos aonos apoderardas qualidades divinas que tanto cobiçávamos, surgiria aí uma possibilidade de estabelecer o tão esperado retorno através da natureza? O estado de inocência, perdido pela civilização,estaria mediado em se submeter ao mundo dos sentidos, não em se dominar o mundo dos objetos?

Nessa encruzilhada, no entanto, tal utopia há muito fora perdida. Não são exatamente os “primeiros mitos”, citados acima, aqueles que pregam que o poder emergiu da terra até as mãos do homem? Não é possível de se pedir a toda uma civilização que lance seu anel de poder de volta ao fogo que onde foi feito. Nessedilema em que vivemos, portanto, tão diferente do modo de vida que tanto Elomar quanto Tolkien aspiraram em seus anos de formação, resta-nos o “escape”. E esse primeiro parece aplicá-lo, assim como autor britânico, em direção aoutromundo, onde há uma “suspensão de descrença”, que nos permite dar crédito àquilo que não é:

“Eu comecei a sentir que era muito ‘apertado’ o Sertão físico para conter os personagens, minhas histórias, minhas canções.”, diz ele em entrevista para a autora Simone Guerreiro, no livro “Tramas do Sagrado”. Tão apertado ele sentiu esse Sertão, que inventou mais um, ao qual cunhou o nome “Sertão Profundo”, espécie de Terra-média nordestina que o músico baiano diz não ter criado, mas vislumbrado e divulgado, assim como Tolkien, na sua posição de pretenso tradutor do Livro Vermelho. Nosso menestrel prossegue dizendo:

“Esse (é um) sertão imaginário onde pudessem viver esses meus personagens, e eles correrem soltos. Pra não ficar preso à ordem vigente, política, econômica, social, eu vou pegar um sertão lá longe, que deve ter havido, digamos assim, nos tempos da idade média.”, conclui.

Agora temos mais do que um repúdio à contemporaneidade. De um lado, um professor de filologia, do outro, um compositor autodidata. Ambos se dedicam a representar um mundo que negue este, ou, ao menos, o anule, embora brevemente. Dois mundos ficcionais, e um ponto de convergência: O medieval.

Para esses dois criadores, parece haver uma colagem de valores tradicionais em suas criações, em cuja origem está uma Idade Média fantasiosa a servir de fonte e resgate. Tolkien, ao reproduzir uma imagem etnocêntrica em forma de mitos “pseudo-fundadores” do que seria sua concepção de uma identidade folclórica inglesa, passa a emular lugares comuns de um medievo inglês, mesmo que sob o filtro de seu olhar de homem moderno, criticando tal modernidade.Outros autores, todavia, nos trazem uma visão análoga ao processo de como a cultura nordestina, berço da obra elomariana, bebe das mesmas fontes, como nos traz Francisco Cláudio Alves Marques, em seu artigo “Arquétipos da literatura popular do nordeste brasileiro”:

Por outro lado, dado que a poesia medieval é uma poesia in praesentia, como aquela praticada na praça pública nordestina, o ato de rastrear a história dos textos medievais que inspiraram os poetas e cantadores brasileiros nos aproxima, do ponto de vista da recepção, dos sujeitos que os escutaram na corte e na praça pública medieval, pressupondo, na medida do possível, as perguntas que a obra respondia em seu tempo…”

Ou seja, onde o escritor de “O Senhor dos Anéis” cria uma relação com um passado imaginado mediante pesquisa erudita e licença criativa, Elomar o recebe mediante a absorção da palavra, pela tradição oral nordestina e o transforma em música. “Na caatinga devolve-se à palavra a dignidade perdida nos grandes centros urbanos; uma ideia é pensada, pesada, construída e só então transmitida. É fácil sentir que atrás da palavra há uma ideia; atrás da ideia um sentimento; atrás do sentimento, uma construção mística e mágica. Sua força é medieval, sertaneja; a construção é barroca, o Canto tem raízes ibéricas.” Ernani Maurílio, com essas palavras, também provindas do disco “O Auto da Catingueira”, nos permite afirmar uma vez mais, que o medievalismo sertanejo não é uma coincidência, é uma síntese.

Donzela Tiadora

(Elomar Figueira Mello)

E a donzela Tiadora
quinas asa da aurora
vei à sala do rei
infrentá sete sábios
sete sábios da lei
venceu sete preguntas
e de bôca-de-côro
recebeu cumo prenda
mili dobra de ôro
respondeuqui a noite
discanso do trabai
incobre os malfeitores
e qui do anjericó
beleza dos amores
e qui da vilhilice
vistidura de dores
na eterna mininice
foi-se num poldobai
isso vai muito longe
foi no seclo do pai

O Sertão Profundo permite Reis, testes de coragem e sabedoria, até charadas. E tudo isso “vai muito longe/foi no seclo do pai.” Ou seja, para afastar seus leitores/ouvintes do tempo-espaço em que se encontram, esses dois autores abrem mão do idílio de uma pureza reconquistada. Eles nos trazem os ecos de uma pureza esculpida, adotada, trazida de uma reminiscência. O que importa é nos retirar desse “agora”: A cidade, a repetição, o automatismo. É uma literatura que nos permite abrir mão dos poderes do Olimpo artificial em que nos achamos. É uma música que devolve ao homem a condição de coadjuvante da criação, não de protagonista. Entretanto, que mérito haveria em assim proceder? O próprio professor nos diz, em seu “Árvore e Folha”:

“Por que não deveríamos escapar disso ou condenar o absurdo ‘sombrio e assírio’ das cartolas e o horror morlockiano das fábricas? Eles são condenados até pelos autores daquela forma mais escapista em toda a literatura, as estórias de ficção científica. Esses profetas predizem (e muitos parecem ansiar por) um mundo semelhante a uma grande estação de trem com teto de vidro. Mas deles, via de regra, é muito difícil arrancar o que os homens em tal cidade-mundo vão fazer. Eles podem abandonar a “panóplia vitoriana completa” em favor de trajes largos (com zíperes) mas usarão essa liberdade principalmente, parece, para brincar com brinquedos mecânicos no jogo facilmente entediante de se movimentar em alta velocidade.”(Pg 72, Editora Harper Collins Brasil)

Infelizmente, nós não brincamos hoje apenas de nos movimentar em alta velocidade, mas também de nos comunicar em altíssima velocidade, sem, no entanto, falarmos. A palavra, nas metrópoles, assumiu o caráter dessa liberdade ilusória que os portadores do Um Anel pensam alcançar quando se fazem invisíveis e adentram o mundo dos espectros, antes de se tornarem escravos dos poderes que pensam dominar.

Se nesses dois autores a palavra e o canto retomam sua relação com o sagrado de uma continuidade ancestral, é fácil concluir como nosso dia a dia dinamita nossa herança em códigos estritamente utilitaristas. Códigos que nos dão, sem dúvida, as muitas cores de Saruman, o homem habilidoso, com seu maquinário, domínio e influência, mas não a pureza de Gandalf, o Branco, capaz de guiar os Povos-Livres da Terra-média, ou a de Sertano, protagonista do Romance “Sertanílias”, maestro e exímio espadachim, alter-ego por excelência de seu criador(ou vislumbrador) Elomar Figueira Mello.

Haveria uma saída? Provavelmente. E creio que ela se encontra em se permitir abrir um livro ou os ouvidos perante as obras de certos autores, aqueles que ainda criam em busca de uma espiritualidade em forma de sub-criação, compartilhando entre os seus uma experiência ampla, catártica, ainda que a nos conduzir até momentos de todo individuais.

Bastando nos permitir. Viajando para “lá”:

O rapto de Joana do Tarugo

(Elomar Figueira Mello)

Infrenteifôsso muralhae os ferros dos portais
só pela graçada gentil senhora
filtrando a vida pelos grãosde ampulhetas mortais
d’além de tras os Montes venho
por campos de justashonrando este amor
me expondo à Sanha Sanguináriade côrtes cruéis
infrentei vilões no Algouçoe em Senhores de Biscaia
fidalgos corposde armas brunhidas
não temo escorpiões cruéiscarrascos vosso pai
enfreado à porta do castelo
tenho o meu murzeloligeiro e alazão
que em lidas sangrentasbateu mil mouros infiéis
Ô Senhora dos Sarsais
minh’alma só temeao Rei dos reis
deixa a alcôva vem-me à janela
Ô Senhora dos Sarsais
Só por vosso amor e nada mais
desça da tôrreNaíla donzela
venho d’um reino distante,errante e menestrel
inda esta noitee eu tenho esta donzela
minha espada empenhoa uma deã mais pura das vestais
aviai pois a viagem é longa
e já vim preparado para vos levar
já tarda e quase que o minguanteestá a morrer nos céus
Ô Senhora dos Sarsais
minh ‘alma só teme ao Rei dos reis
deixa a alcôva vem-me à janela
Ô Senhora dos Sarsais
só por vosso amor e nada mais
desça da torre Joana tão bela
Naíla donzela, Joana tão bela

Autor:Marcos Guerra Tântalo
Thain da Toca-RN, nasceu em 7 de outubro de 1985, em Natal-RN. Graduou-se em Artes Plásticas, pela UFRN. Em 2009, fundou a editora K-ótica para lançar histórias em quadrinhos, mais tarde tornando-a numa loja dedicada a publicações do gênero. Lançou títulos como “O Evangelho Segundo o Sangue”, “Lovenomicon” e “Lampião na Terra dos Santos Valentes”, além de ter sido um dos contemplados pelo prêmio do Edital Moacy Cirne de Quadrinhos de 2014. Recebeu a Comenda “Mérito Folclorista Prof Deífilo Gurgel”, concedida pela Câmara Municipal de Natal em 2015. Organiza, no momento, diversos projetos, como o quadrinho “Necronomicon Amarelo”, com Will Silva, um dos vencedores do Prêmio de Quadrinhos Evaldo Oliveira, pela Funcarte, em 2019, além de trabalhar como roteirista e ilustrador.

Depressão pós-parto: O caso de Míriel no Silmarillion

Autor:Patrick Queiros

Introdução
O presente artigo tem como objetivo estabelecer uma correlação entre Tolkien e a psicologia, sob a perspectiva de realizar uma avaliação de diagnostico da personagem Míriel do livro Silmarillion. O presente trabalho não tem o objetivo de fazer um tratamento e sim estabelecer um comparativo, entre real e ficção.

Quem é Míriel?

Artista:Jenny_Dolfen

Míriel era esposa do Rei Finwë, e mãe de Curunfinwë, mas ela o chamava de Fëanor- Espírito de Fogo. Segundo Tolkien, Míriel era chamada de “Sërinde por sua extraordinária competência no tear e no bordado, pois suas mãos eram mais adequadas a delicadeza do que quaisquer outras entre os Noldor.” (TOLKIEN,2011,p.67).

Depressão pós-parto

A depressão pós-parto, é um transtorno mental de alta prevalência que provoca alterações cognitivas, físicas, emocionais e sociais.
Os sintomas de DPP são, irritabilidade, sentimentos de desamparo e desesperança, falta de energia e motivação, desinteresse sexual, alterações alimentares e no sono e incapacidade de lidar com novas situações. Uma mãe com depressão pos-parto pode apresentar também sintomas como cefaléia, dores nas costas, etc (Klaus e col., 2000).

No capítulo VI do livro Silmarillion De Fëanor e a libertação de Melkor, contêm elementos que sugerem ser uma depressão pós-parto, devido à diferença entre o comportamento de Míriel, entes e após o parto, presente no trecho abaixo:

“O amor de Finwë Míriel era imenso e cheio de alegria, pois começara no Reino Abençoado nos Dias de Bem-aventurança. Entretando ao dar a luz a seu filho, Míriel foi consumida em corpo e espírito, e, depois do nascimento da criança, ela ansiava por se livrar do esforço de viver.”(TOLKIEN,2011,p.68).

Diagnostico

Segundo o DSM-5 (Classificação norte-americana de doenças mentais), a depressão pós-parto é um subtipo da depressão maior, ou seja, é uma depressão que acontece num período específico e apresenta sintomas diretamente relacionados ao puerpério.  

Critérios diagnósticos de Transtorno Depressivo Maior, segundo o DSM 5:


“A. Cinco (ou mais) dos seguintes sintomas estiveram presentes durante o mesmo período de duas semanas e representam uma mudança em relação ao funcionamento anterior; pelo menos um dos sintomas é (1) humor deprimido ou (2) perda de interesse ou prazer.
 1. Humor deprimido na maior parte do dia, quase todos os dias, conforme  indicado por relato subjetivo (p. ex., sente-se triste, vazio, sem esperança) ou por observação feita por outras pessoas (p. ex., parece choroso). (Nota: Em crianças e adolescentes, pode ser humor irritável.)
2. Acentuada diminuição do interesse ou prazer em todas ou quase todas as atividades na maior parte do dia, quase todos os dias (indicada por relato subjetivo ou observação feita por outras pessoas).
3. Perda ou ganho significativo de peso sem estar fazendo dieta (p. ex., uma alteração de mais de 5% do peso corporal em um mês), ou redução ou aumento do apetite quase todos os dias. (Nota: Em crianças, considerar o insucesso em obter o ganho de peso esperado.)
4. Insônia ou hipersonia quase todos os dias.
5. Agitação ou retardo psicomotor quase todos os dias (observáveis por outras pessoas, não meramente sensações subjetivas de inquietação ou de estar mais lento).
6. Fadiga ou perda de energia quase todos os dias.
7. Sentimentos de inutilidade ou culpa excessiva ou inapropriada (que podem ser delirantes)quase todos os dias (não meramente auto-recriminação ou culpa por estar doente).
8. Capacidade diminuída para pensar ou se concentrar, ou indecisão, quase todos os dias (por relato subjetivo ou observação feita por outras pessoas).
9. Pensamentos recorrentes de morte (não somente medo de morrer), ideação suicida recorrente sem um plano específico, uma tentativa de suicídio ou plano específico para cometer suicídio.
B. Os sintomas causam sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no funcionamento social, profissional ou em outras áreas importantes da vida do indivíduo.
C. O episódio não é atribuível aos efeitos fisiológicos de uma substância ou a outra condição médica. (DSM5, p.161)”

-O critério 1° Humor deprimido a maior parte do dia pode ser percebido quando depois do nascimento de Fëanor, Míriel perdeu a vontade de viver.
– No 9° critério diz respeito a pensamentos recorrentes de morrer, pela ânsia de se livrar do esforço de viver, e quando sua alma não volta ao corpo, podendo-se até discutir se, este caso seria uma tentativa de suicídio, comprovando-se no seguinte trecho: “embora parecesse estar dormindo, seu espírito de fato abandonou o corpo e passou em silêncio para os palácios de Mandos.”(TOLKIEN,2011,p.68).

-O 4 critério pode ser percebido através da Hipersonia, que é o excesso de sono, demonstrado no seguinte trecho:“Ela foi então para os jardins de Lórien, onde se deitou para dormir. No entanto, embora parecesse estar dormindo, seu espírito de fato abandonou o corpo e passou em silêncio para os palácios de Mandos.”(TOLKIEN,2011,p.68). No qual não foi relatado se sua alma retorna ao corpo e a mesma volta a acorda, podendo-se supor que não.
-Pressume-se que se Mírian não tem vontade de viver, e massa a maior parte do tempo dormindo, que a mesma cumpre o  2. Tendo uma grande diminuição do interesse nas atividades quase todos os dias.

-O 6 critério de perda de energia quase diariamente, pode ser deduzida quando Finwë comenta: “- Sem dúvida, existe cura em Aman. Aqui toda a exaustão pode encontrar alívio. – Porém, como Míriel continuasse definhando”(TOLKIEN,2011,p.68),  além do período em que a mesa continuava dormindo.

-O critério B é atendido na medida em que isso gera um prejuízo no funcionamento social, na medida em que a mesma, não participa da criação do filho, nem convive com o marido
-Pode-se pressupor que o critério C, não atribuindo a depressão ao uso de substancia ou outra condição médica na medida em que não é mencionada a utilização de nenhum medicamento, seja ele qual for, e pelo fato que é relatado que a mesma foi consumida após o nascimento da criança.

Desta forma, o critério A é confirmado na medida em que os pontos 1,2,4,6,9 foram atendidos. Além disso, os critérios, B e C podem ser confirmados, de maneira a fechar Transtorno Depressivo Maior.

Conseqüências na vida social

Vale salientar que a depressão pós-parto, afeta a interação mãe-filho; promove desgaste principalmente na vida afetiva do casal, tal fato pode ser observado na vida de Míriel; quando isso afeta a vida de sua relação conjugal, pois “Finwë entristeceu-se, então, pois os noldor eram jovens, e ele desejava trazer muitos filhos à bem-aventurança de Aman.”(TOLKIEN,2011,p.68). O tempo afastado da esposa que só dormia, leva-o a casar-se novamente, podendo ser confirmado no trecho: “Finwë tomou como segunda esposa Indis, a Loura. Era ela uma vanya”(TOLKIEN,2011,p.69).

De acordo com Schwengber e Piccinini (2003) na relação mãe-bebê é comum entre os sintomas apresentados, a mãe não apresentar interesse por seu filho. Essa perspectiva dos fatos nos é apresentada através de Finwë que: “estava triste, porque parecia uma infelicidade que a mãe se afastasse e perdesse no, mínimo o início da infância do filho.” [… ]“A partir daí, todo o seu amor ele dedicava ao filho. E Fëanor crescia rapidamente, como se houvesse dentro dele um fogo secreto aceso.” (TOLKIEN,2011,p.68). 


Tratamento Real x Literário
   

No tratamento de mulheres com Depressão pós-parto, espera-se que seja realizado tendo início na maternidade, através de equipes multidisciplinares, com o obstetra, enfermeiras, sendo este trabalho referenciado por profissionais de saúde mental (psicólogo e psiquiatra), para proporcionar a nova mãe o apoio necessário que necessita. Para, além disso, o apoio da família é fundamental durante o processo, no cuidado mãe-bebê.

Pra o tratamento, depois da saída da maternidade, a terapêutica da depressão puerperal baseia-se em métodos semelhantes aos empregados no tratamento de transtornos depressivos em outros períodos da vida, tais como a psicoterapia, farmacologia, caso seja necessário. (ROCHA, 1999).

Já no universo literário de J.RR Tolkien, foi apresentado outro tipo de tratamento realizado em Aman, mais especificamente aos cuidados dos Valar Irmo e Estë:  

“- Sem dúvida, existe cura em Aman. Aqui toda a exaustão pode encontrar alívio. – Porém, como Míriel continuasse definhando, Finwë procurou aconselhar-se com Manwë, e Manwë a entregou aos cuidados de Irmo, em Lórien. […]Ela foi então para os jardins de Lórien, onde se deitou para dormir. No entanto, embora parecesse estar dormindo, seu espírito de fato abandonou o corpo e passou em silêncio para os palácios de Mandos. As criadas de Estë cuidavam do corpo de Míriel, e ele manteve seu viço, mas ela não voltou. (TOLKIEN,2011,p.68).

Cabe aqui recordar que Irmo, é o Senhor das visões e dos sonhos, e em seu tratamento a coloca para dormir e Estë, a suave curadora dos ferimentos e das fadigas (Tolkien,2011), dessa forma como Míriel não apresentava nenhum ferimento físico, o que Estë poderia fazer por ela, é curá-la da fadiga que ela sentia, no entanto tratando-se de uma doença psicológica os sintomas voltariam a aparecer independente do repouso que a mesma possa ter no sono. Supondo-se que a mesma apresenta-se em um estado de coma induzido, sem previsão de retorno de sua alma ao corpo, nem de recobrar a consciência para que se possa ter início outro modelo de tratamento.



Referências:

Klaus, M. H., Kennel, J. H. & Klaus, P. Vínculo: construindo as bases para um apego seguro e para a independência. Porto Alegre: Artes Medicas, 2000.

Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais : DSM-5 / [American Psychiatric Association ; tradução: Maria Inês Corrêa Nascimento… et AL, 5. ed. Porto Alegre : Artmed, 2014.

SCHWENGBER, D. D. S.; PICCININI, C. A. O impacto da depressão pós-parto para a interação mãe-bebê. Estudos de Psicologia, Natal, v. 8, n. 3, p. 403-411, 2003.
ROCHA, F.L. Depressão puerperal: revisão e atualização. J Bras Psiq, v. 48, p. 105-114,1999.

TOLKIEN, J. R. R., O Silmarillion; organizado por Christopher Tolkien. 5° ed, São Paulo: Editora WMF Martins Fontes, 2011

Autor:Patrick Jorge Araújo de Queiros – Salvador-Ba

A imagem pode conter: Patrick Queiros, close-up

Psicólogo pela Uniruy Wyden, Thain da Toca-Ba, editor das páginas: Conselho Branco Sociedade Tolkien, Imladris Toca-Sp, Toca-Es,Toca-RN. Escritor por diversão, interessado em debater e interpretar a obra de Tolkien.

Os Quatro amores de C.S Lewis e suas representações no universo de Tolkien

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INTRODUÇÃO

O autor C.S. Lewis, no livro Os Quatro Amores, expressa que o amor pode ser comunicado de quatro maneiras: Afeição, a forma mais básica de amar; Amizade, considerada a mais rara; Eros, o amor apaixonado; e Caridade, o maior e menos egoísta deles. No entanto para este artigo, utilizei como parâmetro os subtipos que compões em quatro amores citados acima, sendo trabalhados no decorrer da obra, portanto os amores utilizados como parâmetro foram: Amor-Dádiva, Amor-Natureza, Amor-Apreciativo e Amor necessidade, não sendo utilizados para análise outros tipos de amores citados, como por exemplo, amor-pátria.

-Amor Dádiva

Ilustrador:Dakkun39

Segundo C.S Lewis no livro os quatro amores, o amor-doação é o que deseja de modo genuíno proporcionar ao outro um conforto, proteção, portanto um exemplo típico do “amor-Dádiva seria aquele que move o homem a trabalhar, planejar e guardar dinheiro para o futuro bem-estar de sua família, que ele morrerá sem ver ou desfrutar” (LEWIS,2017, p.11), através dessa citação pode-se pensar em dois momentos em que no livro Os Filhos de Húrin em que é demonstrado o amor- dádiva, o primeiro acontece quando Húrin Senhor de Dor-lómin é convocado para se juntar a 5° batalha Nirnaeth Arnoediad, despediu-se de sua esposa Morwen e disse:

“— Adeus, Senhora de Dor-lómin; agora cavalgamos com maior esperança que já conhecemos. Vamos acreditar que nesse solstício de inverno o banquete há de ser mais alegre do que em todos os nossos anos até agora e seguindo por uma primavera sem temor!
Então ergueu Túrin no ombro e exclamou para seus homens:— Que o herdeiro da Casa de Hador veja a luz das vossas espadas! — E o sol reluziu em cinquenta lâminas que se ergueram para o alto…” (TOLKIEN,2009,p. 54)

Em tal trecho fica claro o amor doação de Húrin que durante anos cuidou da região de Dor-lómin e de sua família; seu filho Turin e sua esposa Morwen que estava grávida. Quando este, indo para guerra exercendo, portanto seu trabalho e, desejando voltar vitorioso para o banquete, podendo assim ver o nascimento de sua filha, ver e sua família e seu povo ter uma vida sem medo de serem escravizados por Morgoth, se assim saíssem vitoriosos. No entanto, Húrin é capturado e amaldiçoado por Morgoth, e forçado a assistir tudo que acontecia em suas terras, sem poder partilhar de experiências com sua família, comprovando assim que o amor de Húrin por sua esposa e filho é um amor de dádiva.

O Segundo momento da obra em que aparece amor de dádiva acontece quando Morwen sem receber notícias do seu marido Húrin, a medida que o tempo passava, se entristecia por seu filho Túrin, Herdeiro de Dor-Lómin e Ladros, pois percebia que ele acabaria se tornando escravo dos homens lestenses caso continuasse naquela região:

“Então Lembrou-se de sua conversa com Húrin e outra vez seus pensamentos se voltaram para Doriath. Por fim,resolveu mandar Túrin embora em segredo, se pudesse rogar ao rei Thingol que lhe desse refúgio.[…] Mas, o nascimento do bebê se aproximava e o caminho seria duro e perigoso, quanto mais pessoas fossem,menor seriam as chances de escapar.” (TOLKIEN,2009 ,p. 75)

Morwen mãe de Túrin, diante da ameaça de escravidão para seu filho, ela o envia para Doriath, e ao fazê-lo segundo Lewis, Morwen exerce “o amor-Dádiva aspira dar a felicidade,conforto, proteção e, se possível riqueza” (LEWIS,2017, p.32), mesmo sabendo que talvez jamais tornaria a vê-lo, o amor-dádiva pode ser percebido, ao qual os pais fazendo de tudo para que seus filhos tenham um futuro melhor, mesmo que para isso tenham não possam aproveitar do mesmo, nem estar próximos destes.

-Amor da Natureza

“Para algumas pessoas, talvez de forma especial para os ingleses e os russos, aquilo que denominamos  de “amor pela natureza” é um sentimento permanente e sério.” (LEWIS, 2017,P.32) .Tal amor pode ser observado no livro Silmarillion na Valar Yavana, a provedora de frutos:

“Ela ama todas as coisas que crescem sobre a terra e guarda na mente todas as suas incontáveis formas, das árvores semelhantes a torres nas florestas primitivas, ao musgo sobre as pedras, aos seres pequenos e secretos que vivem no solo.”(TOLKIEN, 2011, p.18)

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Autora:Yavanna by Janka Lateckov 


Yavana seria a representação viva do Amor-Natureza pois a mesma é a criadora da natureza na terra-média, e também apresenta uma profunda preocupação pela destruição de suas criações, tanto com as destruições que Melkor realizava como pela vinda dos anões criações de Aulë, o mesmo se aplica aos Filhos de Ilúvatar. (TOLKIEN, 2011)







Outro ser que demonstra o amor-natureza, é o Maiar Radagast, o quarto Instari, enviado pelos Valar. Segundo o livro Contos Inacabados:

[…]Radagast o quarto apaixonou-se pelos muitos animais e aves que viviam na terra-média, e abandonou os elfos e os homens para passar seus dias entre as criaturas selvagens. Assim obteve seu nome (que é do idioma de númenor, e significa, dizem, “o que cuida dos animais”. (TOLKIEN, 2009, p. 428)

Nesse sentido Radagast representa o que C.S Lewis descreve os amantes da natureza que estão atrás dela em busca de representar a beleza em uma quadro, buscar uma teoria, uma explicação de algo na natureza, não encontrará nada mais as inspirações que o indivíduo estava tendido a perceber. Lewis fala que:

“as nuances” e os  “espíritos” da natureza eles não apontarão, nenhuma moral. Exuberância avassaladora, majestade intolerável e desolação sombria são arremessadas em sua direção. Faa disso o que puder,se puder fazê-lo. O único imperativo que a natureza pronúncia é “Veja. Ouça. Envolva-se. : “Olhe. Ouça. Atenda.” (LEWIS,2017,p.35 )

Portanto Radagast enquanto Maiar de Yavana estava voltado para sentir e observar a natureza, tanto é que o mesmo abandona sua missão para passar os dias entre os animais e conviver com eles, sem procurar moldá-los e sim, como Lewis fala de olhar e ouvi-los e acredito eu que de algum modo Radagast atenda de a natureza que ele encontrou.

-Amor apreciativo

“O amor apreciativo contempla e prende a respiração, fica em silêncio e se rejubila de que tal maravilha possa existir, mesmo que não seja para ele; não ficará inteiramente deprimido se a perder, pois prefere isso a jamais tê-la visto.”(LEWIS,2017, p.16). O amor apreciativo pode ser representado na obra de Tolkien, através do casal Námo e Vairë, sendo estes descritos no segundo capítulo de Quenta Silmarillion. O valar Námo é um dos irmãos fënturi, Senhores dos espíritos, mora em Mandos e é o guardião da casa dos mortos, ele pode ser considerado uma das representações do amor apreciativo, pois:

“Nunca se esquece de nada e conhece todas as coisas que estão por vir, à exceção daquelas que ainda se encontram no Ábitrio de Ilúvatar. Ele é o oráculo dos Valar; mas pronuncia seus presságios e suas sentenças apenas em obediência a Manwë.” (TOLKIEN, 2011, p.19).  

A outra representação do amor apreciativo é a Valier Vairë, a tecelã, esposa de Námo que também reside em Mandos a Oeste de Valinor, ela:“ tece em suas telas, repletas de histórias, todas as coisas que um dia existiram no Tempo; e as moradas de Mandos que sempre se ampliam com o passar das eras estão revestidas dessas telas.”(TOLKIEN, 2011, p.19).

Tanto Námo, quanto Vairë são como deuses de menor poder, se comparado a Eru o único, e na Terra-média, possuem o papel de Deuses de Amor apreciativo, ambos contribuíram com a música para criação de Eä e continuam exercendo seus respectivos papéis, no qual Lewis coloca que o amor apreciativo, é como o criador que observa o livre arbítrio de suas criações, sem interferir, o que pode ser percebido que Námo mesmo sabendo enquanto oráculo o que virá a acontecer, não interfere. Assim também Vanä enquanto uma tecelã/historiadora que sabe de todas as coisas que um dia existiram no Tempo, não interfere para alterar a história. 

Amor Necessidade

De acordo com Lewis:

nosso amor-Necessidade, como viu  Platão, é “filho da pobreza”. Em nossa conscientização ,é o reflexo exato da própria real natureza. Nascemos desamparados. Logo que estamos totalmente consciente descobrimos a solidão. Precisamos dos outros física, emocional e intelectualmente[…]”(LEWIS p.12). 

Eärendil the Mariner by Jenny Dolfen

O amor necessidade pode ser percebido na obra de Tolkien através da figura do meio-elfo Eärendil, que após a fuga da cidade de Gondolin, se tornou senhor do povo que habitava nas Fozes do Sirion e tomou como esposa Elwing que possuía uma das Silmarills, o que despertou o interesse e gerou o ataque dos filhos de Fëanor (Maedhros e Maglor), aos remanescentes de Gondolin(TOLKIEN, 2011), para, além disso, os remanescentes de Gondolin, ainda eram procurados por Melkor,dessa maneira Eärendil passa por diversas atribulações que demonstram sua pobreza, fazendo o mesmo procurar chegar a Valinor incansavelmente, tendo necessidade de conhecer algo maior, o que pode ser comprovado no trecho abaixo do livro Silmarillion:

“[…]E Eärendil entrou em Valinor, foi os palácios de Valimar e nunca mais pôs os pés nas terras do homens. Então os Valar se reuniam em Conselho e convocaram Ulmo das profundezas do mar. E Eäreandil se apresentou diante deles e cumpriu sua missão em nome das duas famílias. Perdão pediu ele para os Noldor e compaixão por seu enorme sofrimento; pediu também piedade para homens e elfos e auxílio em sua necessidade.E sua súplica foi acolhida.” (TOLKIEN, 2011, p.317)

Segundo Lewis , o amor por Deus está em todos os seres e com freqüência é representado através do amor-necessidade, como por exemplo quando pedimos perdão de nossos pecados ou apoio nas dificuldades da vida(LEWIS,2017). Na obra de Tolkien os Valar são os poderes do mundo, participando de sua criação junto com Eru, de tal modo podem ser considerado Deuses, fazendo-se um paralelo com o que Lewis fala, quando Earendil pede perdão e compaixão  pelos homens e elfos que habitam na terra-média.

Referência:

LEWIS, C.S. Os quatro amores, 1°ed. Rio de Janeiro: Thomas Nelson Brasil, 2017.

TOLKIEN, J.R.R. Contos inacabados:de númenor e da terra média, 2° ed. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2009

TOLKIEN, J. R. R., O Silmarillion; organizado por Christopher Tolkien. 5° ed, São Paulo: Editora WMF Martins Fontes, 2011.

TOLKIEN, J.R.R. Os Filhos de Húrin, 1° ed. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2009.

A imagem pode conter: Patrick Queiros, close-up

Autor: Patrick Queiros
Patrick Jorge Araújo de Queiros – Salvador-Ba


Thain da Toca-Ba, editor das páginas: Conselho Branco Sociedade Tolkien, Imladris Toca-Sp, Toca-Es. Escritor por diversão, interessado em debater e interpretar a obra de Tolkien.


2# Trailer Oficial – O Hobbit: A Batalha dos 5 exercitos

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Hello World

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